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Advogado defende arquivar investigação sobre Lulinha: “sem fatos”

Advogado amigo de Lula pede que PF investigue vazamentos

Advogado e amigo da família de Lula, o jurista Marco Aurélio de Carvalho defendeu nesta segunda-feira (9) o arquivamento das investigações sobre Fabio Luís da Silva, o Lulinha. Para ele, a exposição do sigilo das informações bancárias do filho do presidente, cujos dados vazaram em meio às apurações da CPMI do INSS, demonstrou não “haver fatos” que justifiquem a continuação das apurações.

“Eu acredito que os vazamentos deveriam levar ao arquivamento das investigações, realmente não tem fatos que possam sustentar o prosseguimento das investigações”, disse Carvalho por mensagem à Gazeta do Povo.

Os dados da quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha expuseram movimentações financeiras milionárias. As investigações analisam uma possível relação de Lulinha com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais investigados no esquema. 

Também nesta segunda, os advogados declararam não reconhecer necessidade em uma prisão preventiva de Lulinha, como parlamentares da oposição vêm pedindo no âmbito da CPMI do INSS. Os integrantes do colegiado pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a adoção da prisão preventiva contra o filho do presidente por temerem sua fuga do país.

O advogado Jeffrey Chiquini, que também representa Filipe Martins no STF, pediu a prisão preventiva de Lulinha a Mendonça. Em uma entrevista no começo do mês passado, Lula disse que cobrou explicações do filho sobre a investigação e disse que ele terá de pagar se algo for comprovado.

Prerrogativas compara vazamentos de Lulinha e Master aos da Lava Jato

O grupo de advogados e professores de Direito de esquerda Prerrogativas, do qual Carvalho é um dos coordenadores, comparou em nota o vazamento das provas do escândalo do Master e de Lulinha aos que ocorreram na época da Lava Jato.

Segundo os advogados, os vazamentos de material do caso Master e da CPI do INSS são “infames” e tornam a atuação policial um “espetáculo”.

Confira na íntegra a nota:

Os juristas, docentes e profissionais integrantes do grupo Prerrogativas, sempre atentos à fiel observância do devido processo legal e das garantias constitucionais dos investigados em processos criminais, vêm manifestar grave preocupação diante dos abusos praticados nos procedimentos investigatórios.

Em que pese reconhecer a importância da adequada e necessária investigação de quaisquer fraudes, e não menosprezar a pertinência da elucidação da conduta e dos possíveis responsáveis e envolvidos, inclusive autoridades, o grupo Prerrogativas não pode admitir a sucessão de irregularidades praticadas no decurso desses procedimentos.

São absolutamente reprováveis e infames as ocorrências relacionadas a vazamentos seletivos de trechos do inquérito policial, assim como a exposição vexatória dos investigados, criando um ambiente de abominável espetacularização da atuação policial que remete à ignominiosa memória da Operação Lava Jato.

A manipulação dos procedimentos de apuração policial e de execução de medidas cautelares, inclusive de privação da liberdade dos acusados, não pode, em hipótese alguma, violentar os direitos fundamentais assegurados pela Constituição da República e estritamente regulamentados pela lei aplicável, sob pena de antecipar a culpabilização e estigmatizar os envolvidos, gerando prejuízos irreparáveis não apenas à sua integridade pessoal, como também à credibilidade da ordem jurídica.

Os excessos inaceitáveis cometidos durante a Operação Lava Jato deveriam servir de alerta para que a atuação da Polícia Federal adotasse o rigoroso marco da legalidade.

Urge, portanto, que se preservem as garantias plenas inerentes à presunção de inocência dos acusados, assegurada a sua dignidade no cumprimento de quaisquer medidas determinadas no processo respectivo, zelando-se, ademais, pelo sigilo das provas que possam afetar a intimidade e os direitos de privacidade dos acusados, contida a nociva espetacularização das investigações.

São Paulo, 6 de março de 2026.

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