Por mais paradoxal que pareça, até a excelência cansa. E Abel Ferreira, o técnico mais vitorioso do futebol brasileiro nos últimos cinco anos, talvez esteja exatamente neste ponto.
Desde que chegou ao Palmeiras, em 2020, o português construiu um império. Com ele, o time venceu duas Libertadores, dois Brasileiros, uma Copa do Brasil, três Paulistões, Recopa e Supercopa.
Mais do que troféus, Abel implantou uma mentalidade vencedora, movida por método e intensidade. Um grau de obsessão que beira o fanatismo.
Absolutamente ninguém fez mais do que ele nesse período. Mas talvez aí esteja justamente o problema.
A entrega total ao trabalho, que no início era sua maior virtude, parece ter se transformado em fardo. Abel respira futebol 24 horas por dia, sete dias por semana. E, quando não está vencendo, está surtando.
O surto mais recente de Abel Ferreira
A cena mais recente, no Barradão, depois do empate por 2 a 2 com o Vitória, foi emblemática. O treinador do Palmeiras abandonou a coletiva no meio de uma pergunta absolutamente normal de um repórter.
Levantou-se e foi embora, visivelmente incomodado. Não foi a primeira vez. O problema não é o gesto em si, mas o que ele escancara. Abel Ferreira está pilhado, tenso e irritado.
Talvez por isso, o Palmeiras, embora ainda competitivo, não empolgue em 2025. A temporada anterior já havia sido abaixo do esperado.
Esta, até aqui, segue sem brilho. Falta aquele “algo a mais”. Ou, quem sabe, esteja sobrando desgaste.
Abel Ferreira continua sendo o melhor técnico do futebol brasileiro. Mas está claro que precisa recarregar, respirar e zerar o “HD mental”.
Pep Guardiola fez isso depois de deixar o Barcelona. Zidane, idem, no Real Madrid. Não se trata de fraqueza. Muito pelo contrário. É o que se chama de gestão da própria sanidade.
Abel já deu tudo ao Palmeiras. Agora, por ele mesmo, parece precisar dar um tempo.